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Nota
da CNBB sobre o Código Florestal |
“Eis
que vos dou toda a terra, todas as plantas que dão
semente e todas as árvores que produzem seu fruto
com sua semente, para vos servirem de alimento”
(Gênesis 1,29). |
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O
Conselho Permanente da CNBB, reunido em Brasília,
de 15 a 17 de junho de 2011, tomou conhecimento do atual
estágio da discussão do Código
Florestal no Congresso Nacional, atualmente tramitando
no Senado, após votação na Câmara
dos Deputados.
Estamos conscientes da grande importância de um
Código Florestal no Brasil, porque nosso País
tem possibilidades de oferecer alternativas à
crise civilizacional ancorada, sobretudo, na crise climática. |
Nossa
preocupação maior está no impacto
e nas consequências de uma lei deste porte na
vida das pessoas e no meio ambiente, que sacrificam
a realidade da ecologia física e humana ao
influenciar na dinâmica social e cultural da
sociedade.
A ecologia se tornou, na segunda década do
século XXI, um dos “sinais dos tempos”
mais significativos para a sobrevivência da
humanidade. Não por acaso, vivemos o Ano Internacional
das Florestas, participamos recentemente da Campanha
da Fraternidade sobre a Vida no Planeta que colocou
em discussão a gravidade da crise ecológica
às vésperas da Conferência Rio+20.
A flexibilização da legislação
ambiental, aprovada pela Câmara dos Deputados,
motivo de muita polêmica, é prova contundente
de que o País poderá se colocar na contramão
deste importante debate mundial.
As decisões sobre o Código Florestal
não podem ser motivadas por uma lógica
produtivista que não leva em consideração
a proteção da natureza, da vida humana
e das fontes da vida. Não temos o direito de
subordinar a agenda ambiental à agenda econômica.
Destaque-se, porém, que a legislação
original, tanto de 1934 como de 1965, tinha como preocupação
preservar a flora em suas múltiplas funções,
seja em áreas públicas, parques nacionais,
seja em áreas privadas e, nesse aspecto, sempre
exigiu a manutenção de um mínimo
da vegetação nativa.
Alguns aspectos, já aprovados na atual discussão
sobre o Código Florestal, nos preocupam. Entre
eles, destacamos:
- a flexibilização da Lei altera o regramento
das Áreas de Preservação Permanente
– APPs, que protegem as margens dos rios, encostas,
topos de morro, ameaçando o equilíbrio
de proteção das florestas;
- a anistia das multas e penalidades pelas ocupações
e desmatamentos em áreas de agropecuária
e de alta relevância ambiental.
No Novo Código Florestal não pode faltar
o equilíbrio entre justiça social, economia
e ecologia, como uma forma de garantir e proteger
as comunidades indígenas e quilombolas e defender
as pequenas propriedades e a agricultura familiar.
Convocamos nossas comunidades a participarem desse
processo de aperfeiçoamento do Código
Florestal, mobilizando as forças sociais e
promovendo “abaixo-assinado” contra a
devastação.
Somos chamados a cuidar da natureza, a nossa casa
comum, num processo de desenvolvimento sustentável,
para que a terra e tudo o que dela provém sirvam
para que todos tenham vida e vida em abundância
(cf. Jo 10,10).
Pedimos que Nossa Senhora Aparecida, mãe dos
brasileiros e brasileiras, interceda junto a Deus
muita luz para que nossos parlamentares se façam
sensíveis ao bem comum.
Brasília
– DF, 17 de junho de 2011
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Cardeal
Raymundo Damasceno Assis - Arcebispo de Aparecida -
SP
Presidente da CNBB
Dom José Belisário da Silva - Arcebispo
de São Luís do Maranhão - MA
Vice-Presidente da CNBB
Dom Leonardo Ulrich Steiner - Bispo Prelado de São
Félix - MT
Secretário G |
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